segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O Halloween e as bruxas


Hoje é Dia das Bruxas, ou o nome chique, Halloween. Desde crianças nos é ensinado que as bruxas são más, feias, enrugadas e verruguentas e fazem feitiços para fazer mal às pessoas. Elas são capazes de tudo para tirar quem não gostam do seu caminho. Na verdade, não precisa ser bruxa para agir dessa forma. Pessoas fazem isso. O tempo todo.
Demonizam as bruxas, mas não sei se elas são tão más assim. Para quem leu os livros “As brumas de Avalon” sabe do que estou falando. Talvez demonizem as bruxas pelo simples fatos de serem mulheres. Assim como Joana d’Arc, assim como Maria Madalena, assim como Eva. Levamos sempre a culpa. Carregamos o peso da maldade desde os primórdios, mesmo que esse peso não seja nosso. Mesmo que a maldade não esteja em nós.
No livro, as bruxas são pessoas intuitivas, conectadas visceralmente às leis da natureza e que preservam tudo o que a terra dá. São mães de si mesmas e de todos à sua volta. Respeitam as pessoas da comunidade, respeitam o espaço comum, respeitam as forças naturais e as usam em seu favor. Cuidam para que tudo continue seguindo seu fluxo natural, sem desvios.
As bruxas têm sentimentos bons e ruins, como todas as pessoas, mas escolher qual deles alimentar depende de caráter – e isso não tem nada a ver com ser bruxa ou fada.
Para quem não sabe, o verdadeiro Halloween nada tinha a ver com bruxas ou feitiçarias. Era uma festa de celebração celta que marcava o fim do verão na Irlanda e países próximos(o festival de Samhain) e que durava 5 dias, com início em novembro. Como os mortos eram homenageados neste festival pelos seus ensinamentos deixados aos vivos, o festival ficou conhecido como “a festa dos mortos”.
Posteriormente, após a intervenção da igreja católica, seria adotado o dia de todos os santos (1 de novembro), seguido do dia dos finados (2 de novembro) para substituir este festival. No final, é a mesma coisa. Sacro e profano se misturam. E aí, as bruxas foram incorporadas nesse contexto meio que por acaso, mais precisamente na idade média. 
Mulheres que eram consideradas curandeiras, por conta de seus chás, preparos e remédios - além da sabedoria -, eram terrivelmente perseguidas pela igreja durante a idade média e por isso eram queimadas vivas – o que não difere muito dos dias atuais, quando a violência contra as mulheres continua absurdamente alta. As mulheres levaram a culpa e pagaram o preço com suas vidas. Ainda hoje é assim.
Com o tempo, essa atrocidade foi abolida e o Halloween se tornou no que vemos hoje: uma festa cheia de simbolismos e brincadeiras, com a famosa frase “doces ou travessuras?”.
Ainda bem que os costumes dessa festa mudaram, mesmo que em nada lembre a tradição Celta, tão bonita, respeitosa e tão simbólica. Hoje é uma festa lúdica, na qual crianças se fantasiam, brincam, ganham doces. Os adultos se divertem. Não há fogueiras inquisitivas, mas há bruxas. Ainda bem. Todos saem ganhando.
Daniele Van-Lume Simões 31/10/2016





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