segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A ansiedade e a respiração


Considero-me uma pessoa ansiosa. Fui criada numa família ansiosa. Ansiedade para comer, para beber, para comprar, para viajar.
Quando criança, comíamos muito. Na adolescência, fui extremamente ansiosa, por conta do meu corpo gordinho residual da infância e isso me causou uma anorexia aos 13 anos de idade e claro, mais ansiedade. Depois, na faculdade, descobri que podia sair, então era de segunda a segunda, não importasse para onde fosse, desde o sorvete no shopping até o barzinho ou na casa de alguma amiga.
Para viajar, arrumava e desarrumava a mala 2.547.986 vezes, para depois colocar tudo o que coubesse e ainda conseguir a proeza de levar 6 pares de sapato para um dia e meio em Porto de Galinhas. Prazer, centopeia.
Depois, ansiedade pós formatura - o que fazer agora?, ansiedade para passar no mestrado, para defender o doutorado e para passar num concurso. Passei, mas não era O concurso, então ansiedade para aparecer um que realmente valesse a pena. Demorou longos 31 anos.
E a ansiedade para encontrar o grande amor? Encontrei um ano antes do concurso. Depois, veio a ansiedade para ter filhos, para emagrecer de novo (o que só te faz engordar), para ser uma boa profissional e não decepcionar naquele concurso que você ficou 31 anos esperando - mais do que o homem dos seus sonhos.
Ansiedade para juntar dinheiro, para comprar algo útil, para ser alguém útil. Ansiedade para ver os pais, para se despedir dos pais, quando se mora longe. Ansiedade pelo feriado e pelas tão sonhadas férias!!!
Somos bombardeados de doses cavalares de ansiedade e nossa sanidade onde fica nisso tudo?
Passam-nos terapias, tarjas pretas, tarjas vermelhas, terapias alternativas, florais, férias (olha ela aí de novo), conselhos, novenas e até reza braba, só esquecem-se de passar o segredo de manter uma mente equilibrada: RESPIRAR!  Sim, não é à toa que mandam-nos respirar e contar até 10 quando estamos nervosos. Um conselho que nem damos atenção, mas que é tão sábio! Não nos mandam comer, beber, sair, comprar, estudar, correr, trabalhar, não. Mandam-nos RESPIRAR. Simples assim.
Uma coisa tão simples, mas que com tanta carga emocional e física, esquecemo-nos de sua importância. E essa oxigenação é capaz de acalmar o mais estressante momento, porque nos conectamos com nosso interior, ali, pra quem quiser ver. Não precisamos ir para uma igreja, um consultório, uma academia. Basta parar um pouco, fechar os olhos e respirar profundamente por alguns minutos. E Pronto. Como mágica, nosso cérebro acalma, nossa voz amansa, nossa sanidade volta. Aos poucos, mas volta.
Faça o seguinte: tenha mais momentos de respiração, mas sem cobrança. Quando sentir as temíveis palpitações ou nervoso, respire profunda e lentamente. Sinta-se. E entenda que o remédio e a solução podem ser bem mais simples se paramos por alguns minutos por dia para olharmos para dentro de nós e deixarmos a energia fluir da forma mais vital que conhecemos.

Daniele Van-Lume Simões   16/01/17


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